O futuro do empreendedorismo precisa ser mais acessível, diverso e descentralizado. Por muito tempo, inovação e investimento estiveram concentrados em grandes centros urbanos, limitando o crescimento de negócios e profissionais que vivem em outras regiões. Mas essa realidade pode e deve mudar.
Descentralizar não significa apenas levar dinheiro para novos lugares, mas sim ampliar oportunidades, reconhecer potenciais e permitir que ideias inovadoras cresçam onde quer que estejam.
Descentralização do capital: investir além dos grandes centros
O investimento tradicional sempre esteve concentrado no eixo São Paulo – Rio de Janeiro, enquanto outras regiões do Brasil recebiam pouca ou nenhuma atenção. Mas a realidade está mudando, e cada vez mais investidores e empreendedores estão percebendo o potencial econômico das periferias, cidades do interior e regiões historicamente invisibilizadas. Rapá, demorou, viu?
Isso significa que hoje, quem investe com propósito pode fazer mais do que apenas buscar retorno financeiro – pode impulsionar negócios locais, fortalecer economias regionais e gerar impacto social.
Exemplo disso é o crescimento das fintechs e plataformas de microcrédito, que estão viabilizando acesso a capital para empreendedores que antes não conseguiam um simples empréstimo bancário. Startups que fomentam o crédito para pequenos negócios, iniciativas de investimento anjo voltadas para diversidade e fundos que apostam no desenvolvimento sustentável de comunidades são ferramentas essenciais para essa descentralização.
Descentralização territorial: inovação existe em todo lugar
A inovação não está restrita às capitais ou aos pólos tecnológicos. Há ideias incríveis surgindo em pequenas cidades, comunidades periféricas e regiões historicamente esquecidas pelo mercado. E esses negócios não só existem, como também estão transformando realidades.
No Acre, por exemplo, o jovem Eduardo Fernandes criou o projeto Altaneira Piscicultura, uma tecnologia que automatiza e monitora a qualidade da água para a criação de pescados de maneira sustentável. Essa solução não apenas melhora a produção local, mas também incentiva a economia da região e fortalece um setor essencial para o país.
Na Bahia, onde nasci, vejo diariamente como empreendedores das periferias criam soluções inovadoras para problemas reais – seja no setor alimentício, na economia criativa ou no uso da tecnologia para melhorar a mobilidade urbana. O desafio não é a falta de ideias, mas sim a falta de visibilidade e recursos para que essas iniciativas cresçam e se sustentem.
O papel da educação e da inclusão digital
Não podemos falar de descentralização sem abordar a educação e a inclusão digital. Hoje, o acesso ao conhecimento ainda é desigual, e muitas pessoas não conseguem desenvolver seus projetos porque faltam capacitação, redes de apoio e infraestrutura digital.
Negócios como o Awale Lab, que capacita pessoas negras e indígenas para o mercado digital, são fundamentais para equilibrar esse cenário. Segundo dados do IBGE, grande parte dessa população reside em áreas afastadas dos centros urbanos, e oferecer formação específica gera mais autonomia, oportunidades e inclusão no ecossistema digital. Vumbora movimentar esse corre e abrir espaço pra quem tá na luta?
Para que essa descentralização aconteça de forma consistente, é essencial a colaboração entre setor privado e setor público. Políticas de incentivo, parcerias estratégicas e investimentos direcionados podem acelerar o crescimento de negócios fora dos grandes centros urbanos e fortalecer a infraestrutura necessária para que a inovação aconteça em qualquer lugar.
Como fundador da Quintal Limpo, uma plataforma que conecta clientes a profissionais de limpeza e manutenção, acredito que descentralizar os serviços urbanos pode gerar impactos positivos para as cidades, tornando-as mais ágeis, inclusivas e sustentáveis.
A descentralização é um processo que exige INTENÇÃO, AÇÃO E COMPROMISSO. Precisamos falar sobre isso, cobrar mudanças e, sempre que possível, fazer parte dessa transformação.
E no fim das contas, inovação também é cultura. Seja comendo um peixe no Acre ou um cuscuz bem gostoso na Bahia, bora criar soluções e transformar o futuro?

Empreendedor apaixonado por inovação e impacto. Fundador da startup Quintal Limpo – plataforma que conecta clientes a profissionais de limpeza e manutenção, gerando oportunidades e promovendo o empreendedorismo e co-fundador da Quibli – um portal de conteúdo ágil e direto ao ponto. ForbesBLK 2023 e vencedor do Techstars Startup Weekend Nordeste 2021 com o projeto EDULETIVO – plataforma de financiamento coletivo estudantil.