Equidade racial no Brasil: o que avançou de Tereza de Benguela até hoje?

Tereza de Benguela

Você sabe quem foi Tereza de Benguela?

Tereza de Benguela foi uma liderança quilombola do século XVIII que simboliza a luta por liberdade e resistência contra a opressão. “Tereza de Benguela” foi provavelmente o nome cristão que recebeu no Porto de Benguela, ponto de partida de muitos africanos escravizados trazidos para o Brasil. Não há registros documentais sobre seu local de nascimento, mas a análise de registros disponíveis indica que ela foi trazida ainda jovem, arrancada de África.

Sua história é exemplo de resistência e coragem de pessoas que enfrentaram a opressão colonial em busca de liberdade e justiça. Sua trajetória inspirou — e continua inspirando — movimentos sociais, leis e políticas de equidade racial no Brasil.

Desde os tempos de Tereza, o país avançou em alguns aspectos da questão racial, embora ainda haja muito a conquistar. 

4 avanços na equidade racial no Brasil desde Tereza de Benguela

Reconhecimento da história e cultura afro-brasileira

Hoje, há maior valorização das contribuições dos povos negros na formação da identidade brasileira, com leis como o Dia da Consciência Negra e a Lei 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas.

Políticas de ações afirmativas

Foram implementadas cotas raciais em universidades públicas e concursos públicos, buscando promover maior inclusão e igualdade de oportunidades para a população negra.

Legislação antidiscriminatória: 

O Brasil aprovou leis para combater o racismo, como a Lei nº 7.716/1989, que define crimes de preconceito por raça, cor, etnia, religião ou origem. Em 2023, a Lei nº 14.532 passou a equiparar a injúria racial ao crime de racismo.

Movimentos sociais e conscientização:

Houve um fortalecimento dos movimentos negros, que lutam por direitos iguais, representatividade e enfrentamento do racismo estrutural, por meio de mobilizações, formações e incidência política.

25 de julho: o dia de Tereza e das mulheres negras

O 25 de julho foi instituído como o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, reconhecido pela ONU desde 1992, durante um encontro na República Dominicana, para dar visibilidade à luta das mulheres negras contra o racismo e a desigualdade. No Brasil, a data também marca o Dia Nacional de Tereza de Benguela, oficializado pela Lei nº 12.987/2014.

Escolher Tereza de Benguela como símbolo dessa data no Brasil é reconhecer o protagonismo das mulheres negras na luta por liberdade e justiça. Quando celebramos o dia 25 julho, lembramos que essa história não é do passado. Ela continua viva nas mulheres negras que resistem todos os dias: nas periferias, nos quilombos, nas cidades, nos interiores.

Mulheres que seguram as pontas, constroem caminhos e mantêm de pé aquilo que muita gente tenta apagar. É um dia pra afirmar quem somos, pra lembrar de onde viemos e pra seguir sonhando com um futuro que seja, de fato, pra todas.

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Dados que ajudam a dimensionar o desafio da equidade racial no Brasil

Desigualdade de renda

Segundo a PNAD Contínua 2024, a renda média dos 10% mais ricos do país chegou a R$ 8.034, enquanto os 40% mais pobres viveram com R$ 601 por mês. Isso quer dizer que, em média, quem está no topo da pirâmide ganha 13,4 vezes mais que quem está na base. E o abismo é ainda maior quando olhamos para o 1% mais rico, cuja renda média mensal chegou a R$ 21.767 — ou seja, 36 vezes a renda dos 40% mais pobres.

Esses dados, divulgados pela Agência Brasil com base em levantamento do IBGE, mostram que a desigualdade continua sendo um dos principais obstáculos para a equidade racial no Brasil. Afinal, quem está na base é, em sua maioria, a população negra, historicamente excluída dos espaços de poder e das oportunidades de ascensão social. A concentração de renda no topo é reflexo direto do racismo estrutural que ainda organiza nossa sociedade.

Pobreza no Brasil ainda tem cor e classe

De acordo com a Síntese de Indicadores Sociais 2024 (SIS), divulgada pelo IBGE, entre 2022 e 2023 a taxa de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza — renda domiciliar per capita inferior a R$ 665,00/mês, conforme critério do Banco Mundial — caiu de 31,6% para 27,4% da população. É o menor patamar desde 2012 e representa cerca de 8,7 milhões de brasileiros a menos em situação de pobreza nesse período.

Apesar da redução, os dados seguem revelando desigualdades históricas. Em 2022, 40% da população negra ou parda estava em situação de pobreza — o dobro da taxa entre pessoas brancas, que era de 21%. Ou seja, mesmo quando os números melhoram, a pobreza no Brasil ainda tem cor — e ela continua sendo negra.

Desigualdade educacional entre brancos e negros persiste

A taxa de analfabetismo entre pessoas pretas e pardas (10,1% e 8,8%, respectivamente) é mais que o dobro da registrada entre pessoas brancas (4,3%) — segundo o Censo 2022, divulgado pelo IBGE.  Essa diferença expressa a herança de exclusão que ainda pesa sobre quem teve menos acesso à escola e às políticas públicas.

E mesmo entre os mais jovens, essa desigualdade não desaparece completamente. Em 2022, o grupo de 15 a 19 anos apresentou a menor taxa de analfabetismo (1,5%), mas a vantagem dos brancos sobre pretos e pardos já aparecia em idades entre 25 e 34 anos, mostrando que desigualdade de oportunidades persiste além da infância.

Em outras palavras: mais gente sabe ler e escrever hoje, mas a falta de investimento estruturante, especialmente nas regiões mais pobres e entre população negra, deixa feridas que continuam visíveis nos dados.

Esses dados mostram que a equidade racial no Brasil ainda é um projeto em construção. Com 56% da população se autodeclarando negra (IBGE 2022), o combate à desigualdade racial é urgente e necessário para que o país avance rumo à justiça social.

O que você acredita que podemos considerar como avanços nas políticas de equidade racial no Brasil, desde então?

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