Como definir a identidade comunicacional da sua marca: tom de voz e planejamento editorial

Tom de voz e planejamento editorial

Você sabe que a comunicação de uma marca, seja ela grande ou uma pequena ou média empresa (PME), não se resume a postagens bonitas? Ela é um elemento essencial para gerar impacto e auxiliar na formação de sua identidade (posicionamento). 

Em um ambiente digital acelerado e complexo, é fundamental que empreendedores e profissionais de marketing ajam como estrategistas, e não apenas como “bombeiros” apagando incêndios.

Este artigo visa trazer apoio e desdobrar os conceitos de identidade comunicacional, planejamento editorial e táticas para a jornada do cliente, aplicando-os à realidade do seu negócio ou seu nível de atuação como estrategista de marketing no ambiente digital.

Voz, tom e coerência: os alicerces da personalidade

Para que a comunicação de uma organização seja eficaz, é imprescindível gerar conexão humana. Isso passa pela definição clara da personalidade da marca, separando voz e tom. A voz é a personalidade da marca, aquilo que ela é. O tom é a modulação dessa voz, variando conforme o contexto comunicacional.

A organização deve garantir a coerência, pois o tom inadequado pode gerar um impacto negativo na comunicação e afetar a imagem desejada. Uma ferramenta prática para definir e manter essa coerência é a dos valores contrastantes (Eu sou isso, mas não aquilo). 

Por exemplo, uma marca pode ser confiante, mas não arrogante, ou acessível, mas não simplória. Definir esses limites ajuda a modular a personalidade no canal, no criativo ou em um momento de crise, como ao responder um feedback negativo.

Além disso, a comunicação do seu negócio, mesmo que profissional, deve ser humanizada, reconhecendo que a relação será “de pessoa para pessoa”. Humanizar o conteúdo não significa conversas informais de bar, mas sim dar atenção humana para resolver problemas e zelar pela imagem da marca.

Linha editorial e escolha estratégica de canais

A linha editorial é o agrupamento de assuntos ou temas que fazem parte do universo da marca, sem a pretensão primária de vender. Para uma PME com recursos limitados, a escolha da linha editorial deve ser estratégica. 

É preciso focar em assuntos que a marca é capaz de falar, que estão alinhados com seu posicionamento e que fazem sentido para o seu universo. Por exemplo, uma marca que vende tijolos não deve falar sobre o processo de produção de pão, ou o dia do pão.

A partir da linha editorial, a PME deve definir de três a quatro pilares editoriais ou categorias principais para nortear sua comunicação.

Com esses pilares definidos, a escolha dos canais de conteúdo deve ser um ato estratégico. Canais servem como um meio para comunicar a proposta de valor e alcançar o segmento-alvo. A escolha deve levar em consideração dois fatores principais:

  1. Onde o cliente quer ser contatado: o seu segmento consome o conteúdo que você oferece nesse canal específico?
  2. Capacidade de entrega da marca: a sua organização tem capacidade (equipe e recursos) de produzir o formato que o canal exige? Deve-se equilibrar o esforço e o resultado.

As mídias se dividem em próprias (como o site ou blog, que pertencem à marca, garantindo controle em caso de falhas em plataformas como Meta), pagas (anúncios), e ganhas (menções e parcerias não pagas). A empresa deve avaliar quais mídias são sustentáveis dentro de sua realidade.

Planejamento editorial e a jornada complexa

O planejamento do calendário editorial é essencial para o seu negócio, ou do seu cliente, que busca antecedência e frequência, evitando a urgência do “apagar incêndios”. Esse planejamento deve distribuir os temas (editorias) considerando sazonalidades, campanhas e, crucialmente, a Jornada do Cliente.

A jornada do cliente não é mais linear. Com o advento da internet e o excesso de informações, os consumidores se encontram no que o Google chama de Messy Middle (Meio Confuso), circulando em um fluxo constante de exploração e avaliação.

Estruturação do conteúdo na jornada complexa

Para guiar o cliente neste ambiente confuso, o conteúdo que você produz precisa ser adaptável, focado em três ações principais: garantir presença, simplificar a avaliação e fechar a lacuna entre o gatilho e a compra (experiência). Entenda um pouco mais.

O modelo do “messy middle” identifica três ações principais para que as marcas possam navegar e influenciar os consumidores no ciclo não-linear de exploração e avaliação que ocorre entre o gatilho de compra (Trigger) e a compra final (Purchase).

Garantir a presença da marca

Garantir a presença significa que sua marca deve estar visível desde o primeiro momento de deliberação para conquistar ou proteger a sua participação na preferência do consumidor. Esta é a base fundamental (table stakes) que assegura a disponibilidade mental da sua marca enquanto o cliente está no modo de Exploração (busca expansiva por novas ideias e opções). 

Simplesmente aparecer e oferecer a opção da sua marca já demonstrou ser suficiente para fazer com que uma parcela significativa de compradores mude de preferência.

Empregar a Ciência Comportamental de forma inteligente

Empregar a Ciência Comportamental foca em reassegurar os consumidores durante a fase de Avaliação (onde eles estreitam as opções e buscam confirmação). Isso é feito aplicando princípios de vieses cognitivos (atalhos mentais) de forma inteligente para tornar a proposta da sua marca mais convincente. 

Táticas como a prova social (avaliações positivas, o viés mais poderoso) e o poder do grátis podem influenciar fortemente os resultados. No entanto, é crucial aplicar essas táticas de forma responsável, evitando o uso de “sludge” (táticas que distorcem o processo de decisão).

Fechar a lacuna entre o gatilho e a compra

Fechar a lacuna significa reduzir a carga cognitiva (o atrito) do consumidor, otimizando a usabilidade, o design e a experiência do usuário (UX). O objetivo é garantir um processo de compra o mais simples e rápido possível para que o cliente prossiga para a compra final. 

Fatores como a velocidade do site (especialmente no celular), mensagens consistentes entre o anúncio e o site, e a provisão de informações completas são críticos para remover barreiras inesperadas que poderiam motivar o comprador a mergulhar de volta no ciclo de exploração e avaliação

Duas ferramentas que podem ajudar você a pensar o conteúdo nessa nova realidade, permitindo que o profissional de Social Media ou pessoa empreendedora planeje estrategicamente suas editorias dentro do calendário editorial mais estratégico:

1 A estrutura dos 3 Hs (Help, Hub, Hero)

Essa estrutura, inspirada na estratégia de distribuição de conteúdo, permite que você distribua o conteúdo de forma a auxiliar o cliente em diferentes fases …

Help (ajuda): economia de tempo e presença

O conteúdo Help é aquele que economiza tempo e resolve uma dor inicial. Deve ser facilmente rastreável pelos mecanismos de busca (SEO), garantindo que a marca “apareça” no momento da exploração do cliente. Neste ponto, o cliente busca uma solução, mas ainda não está necessariamente pensando em uma marca específica.

Aplicando a uma consultoria de marketing. Aqui, o objetivo é entrar no radar do cliente que busca conhecimento básico. A tática é garantir que o conteúdo responda à dúvida inicial de forma completa, para que o cliente não precise sair e ir para outro artigo, economizando tempo. Então, por exemplo, o conteúdo help poderia ser: artigo de blog (rastreável via Google/SEO) respondendo à pergunta: “O que é Marketing Digital e como começar?”.  Hub (Central): aprofundamento e comercialização

O conteúdo Hub foca no aprofundamento do conhecimento e é o estágio onde a parte comercial pode acontecer. O negócio deve dar subsídios para que o cliente possa avaliar sua solução em relação às outras, tornando a marca a escolha principal devido à autoridade construída.

Continuando com a consultoria de marketing. O objetivo é fazer o cliente considerar a contratação da consultoria. De modo tático, o conteúdo deve aprofundar o tema (escolhido na linha editorial, para ser abordado num determinado período de tempo). É aqui que a solução da marca (o serviço ou produto) pode ser apresentada. Até mesmo para garantir o alinhamento de expectativas. Por exemplo, uma Série de vídeos longos (YouTube) ou uma newsletter aprofundada sobre “Os 5 pilares do planejamento estratégico”.

Ou até mesmo, ter por objetivo simplificar a avaliação, tirando o medo da má decisão. Pode se valer de provas sociais e argumentos que reduzam a sensação de que a compra será um mau negócio, tranquilizando o cliente em meio à confusão. Exemplo: e-book gratuito sobre “Como montar um plano de marketing sólido em 8 etapas”(com link direto para produtos da marca)

Hero (Herói): Experiência e Capital Social

O conteúdo Hero é oferecido após a conversão (compra ou assinatura) e é exclusivo e mais próximo. O objetivo é aumentar o capital social do cliente, confirmando que ele tomou a melhor decisão e garantindo uma experiência positiva. O conteúdo deve ser algo que o cliente não encontraria nos momentos de exploração e avaliação.

Ainda sobre a consultoria de marketing, um objetivo seria garantir que o cliente se sinta valorizado e inteligente. De modo tático, entregar conteúdo que eleve o status do cliente. O cliente pode usar o conhecimento adquirido para atrair atenção e falar sobre o assunto com amigos (Capital Social). Por exemplo, convite para um grupo VIP no WhatsApp ou mentoria exclusiva (pós-serviço) com insights sobre tendências de mercado.

Um outro objetivo seria confirmar a qualidade do produto e gerar recorrência. Como tática, fechar a lacuna entre o gatilho e a compra, entregando um conteúdo que confirma a experiência positiva, tornando a pessoa uma advogada da marca.

2 Calendário transmídia: coerência e alcance

O profissional de Social Media ou pessoa empreendedora deve utilizar o calendário transmídia para distribuir uma única mensagem central em diferentes mídias e formatos (em um período de tempo definido, por exemplo, 15 dias). Cada mídia (Instagram, Blog, Newsletter, YouTube, etc.) deve transmitir essa mensagem de forma coerente e completa em si, mas, juntas, elas reforçam o posicionamento e tiram o cliente do piloto automático de exploração e avaliação.

De forma prática:

1. Mensagem central (15 dias): “Segurança e durabilidade na construção”. (Esta mensagem é estratégica e alinhada ao posicionamento da marca, que não vende pão, mas tijolos).

2. Distribuição transmídia:

Canal escolhido (Meio)Formato (Adequação à Capacidade)Conteúdo (Editoria)
TV Local / Outdoor (Mídia Paga/Ganhas)Imagem/Anúncio (KV)Mensagem de alto impacto: “Construa sem preocupações. (Nome da Marca).”
Blog/Site (Mídia Própria)Artigo Help/Hub (Texto)“5 mitos sobre a durabilidade de materiais de construção”. (Atende à exploração do cliente e aprofunda o conhecimento).
Instagram (Mídia Ganha/Paga)Vídeos curtos (Reels)“Por dentro da fábrica: como garantimos a resistência do tijolo (Conteúdo dos bastidores)”. (Conteúdo de aprofundamento, mostrando a autoridade da marca e simplificando a avaliação).
Newsletter exclusiva (Pós-venda)E-mail (Hero)“Guia de manutenção: como cuidar da sua obra para que ela dure 50 anos” (Conteúdo de experiência e Capital Social).

Resultado estratégico:

O cliente que vê o outdoor, lê o blog e acompanha o Instagram entende que a marca está, de forma coerente e através de diferentes ângulos (criativos), reforçando a mesma mensagem de segurança e qualidade. 

Essa coerência, que exige modulação do tom, mas não mudança da voz, é crucial para que o cliente se sinta seguro e saia do loop de exploração e avaliação. A escolha do canal é estratégica e considera onde o público deseja ser contatado e a capacidade de entrega da PME.

Planejamento é roteiro necessário para ser estratégico

Ao aplicar o tom de voz adequado, definir pilares editoriais coerentes, escolher canais estrategicamente e planejar o conteúdo dentro da estrutura dos 3Hs e do Transmídia, a organização transforma sua comunicação de um custo operacional para uma alavanca de resultados.

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