Pessoas indígenas no mercado de trabalho: desafios da informalidade e caminhos para inclusão

Mulher jovem, sentada em frente ao computador com código na tela, sorrindo em um ambiente de escritório moderno, simbolizando a presença e a valorização de indígenas no mercado de trabalho.

A inclusão das pessoas indígenas no mercado de trabalho brasileiro é urgente, necessária e possível.

Quantas pessoas indígenas no mercado de trabalho você conhece pessoalmente? Você sabe dizer quais são suas profissões? Graças ao meu trabalho na Awalé, conheci mulheres indígenas que atuam nas áreas de comunicação e marketing. Além disso, por ter nascido em um estado com forte presença indígena e ser apaixonada pela cultura amazonense, também tive a oportunidade de conhecer pessoas indígenas no mercado de trabalho atuando em áreas como Saúde, Ciência e Inovação. No entanto, reconheço que este é um recorte extremamente reduzido dentro de um país que frequentemente vira as costas para seus povos originários.

Essa reflexão ganha força quando analisamos alguns dados preliminares do último Censo Demográfico do IBGE (2022), que revela não apenas um crescimento significativo da população indígena no Brasil, mas também uma distribuição territorial e social que merece atenção especial. Esses dados evidenciam a importância de discutir profundamente a presença e informalidade das pessoas indígenas no mercado de trabalho formal.

A inclusão das pessoas indígenas no mercado de trabalho formal ainda é um desafio significativo tanto no Brasil quanto em toda a América Latina. A pouca representatividade das pessoas indígenas nas empresas e o alto índice de informalidade são realidades que exigem atenção urgente por parte de políticas públicas, empresas e sociedade civil.

A realidade das pessoas indígenas no Brasil

De acordo com o Censo Demográfico de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população indígena no Brasil é de 1.693.535 pessoas, representando 0,83% do total de habitantes do país. Este número mostra um aumento expressivo em relação ao censo anterior, de 2010, quando foram contabilizados 896.917 indígenas, correspondendo a 0,47% da população naquela época.

A distribuição geográfica dessa população revela que 51,2% dos indígenas residem na Amazônia Legal, área que engloba os estados da região Norte, Mato Grosso e parte do Maranhão. As regiões Norte e Nordeste concentram juntas 75,71% da população indígena do país. Os estados com maior número de indígenas são Amazonas, com 490.854 pessoas, e Bahia, com 229.101, totalizando 42,51% do total indígena no Brasil.

Em relação à localização, 63,3% dos indígenas vivem fora de Terras Indígenas oficialmente reconhecidas, enquanto 36,7% residem dentro dessas áreas. O censo também identificou 8.568 localidades indígenas em todo o país, presentes em todos os estados e no Distrito Federal. A maioria dessas localidades (71,55%) está situada em terras indígenas declaradas, homologadas, regularizadas ou encaminhadas como reservas indígenas na data de referência do censo, enquanto 28,45% encontram-se fora dessas áreas.

Esses dados ressaltam a diversidade e a distribuição da população indígena no Brasil, além de evidenciar a necessidade de políticas públicas direcionadas que considerem as especificidades culturais, sociais e econômicas desses povos, especialmente no que se refere às atividades econômicas e à inclusão das pessoas indígenas no mercado de trabalho.

Desafios da informalidade para pessoas indígenas no mercado de trabalho na América Latina e Caribe

A informalidade é um desafio significativo enfrentado pelas pessoas indígenas no mercado de trabalho. De acordo com um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), 85% das pessoas indígenas na América Latina e no Caribe estão empregadas na economia informal, uma taxa significativamente superior à média geral, de cerca de 50% da população empregada.

Essa alta taxa implica que a maioria dos trabalhadores indígenas não possui acesso a benefícios como proteção social, previdência e serviços de saúde, aumentando sua vulnerabilidade socioeconômica. Além disso, os salários das pessoas indígenas correspondem a apenas 33% do que é recebido por pessoas não indígenas, evidenciando uma disparidade salarial significativa.

O relatório destaca ainda que aproximadamente 55 milhões de pessoas indígenas vivem na América Latina e no Caribe, representando 8,5% da população total da região. Dessas, cerca de 52% residem em áreas urbanas, enquanto 48% permanecem em zonas rurais. A migração para os centros urbanos é motivada tanto pela busca de melhores oportunidades econômicas quanto por fatores como despojo de terras, mudanças climáticas, deterioração ecológica, conflitos e violência.

Baixa representatividade das pessoas indígenas no mercado de trabalho nas empresas brasileiras

Dados apresentados pela pesquisa Perfil Social, Racial e de Gênero das 1.100 Maiores Empresas do Brasil e suas Ações Afirmativas 2023-2024 realizada pelo Instituto Ethos evidenciam um cenário preocupante quanto à presença das pessoas indígenas no mercado formal brasileiro.

A participação é extremamente baixa, com percentuais que mal chegam a 0,1% nos diferentes níveis hierárquicos, desde estagiários até cargos executivos. Esses números denunciam uma situação de exclusão estrutural e falta de representatividade das comunidades indígenas nas grandes corporações brasileiras.

Segundo o gráfico mencionado, a ausência de pessoas indígenas é absoluta em cargos como Conselho Administrativo, Quadro Executivo e Gerência. Mesmo nas áreas de coordenação e posições iniciais como trainee e estágio, a participação é extremamente marginal, não ultrapassando 0,1%. 

Este quadro revela uma lacuna estrutural severa, que impede o avanço econômico e social dessas comunidades dentro do mercado formal. A baixa representatividade em cargos decisórios e executivos significa que as vozes e perspectivas indígenas permanecem ausentes ou marginalizadas nas empresas, reforçando ciclos históricos de exclusão e invisibilidade.

Um olhar específico sobre agências de marketing

A presença de pessoas indígenas nas agências de marketing no Brasil ainda é extremamente baixa. Segundo o estudo realizado pela Operand com mais de 600 empresas em todo o país, apenas 0,49% das pessoas que trabalham nessas agências se identificam como indígenas. Esse dado revela uma desigualdade significativa no setor, especialmente considerando a diversidade populacional do Brasil e a importância da representatividade no ambiente criativo e estratégico da comunicação.

A baixa representatividade indígena também indica possíveis barreiras estruturais e falta de políticas internas que valorizem a diversidade étnica e cultural nas contratações e processos seletivos dessas empresas. Para transformar esse cenário, é preciso implementar ações concretas, como programas de inclusão e capacitação que abram espaço para profissionais indígenas ingressarem no mercado de marketing e comunicação.

Ampliar a presença indígena nas agências não só proporciona equidade social como também traz perspectivas únicas para o mercado, enriquecendo estratégias criativas e gerando conexões mais autênticas com públicos diversos. A inclusão efetiva dessas vozes contribui para um marketing mais ético, relevante e culturalmente sensível, essencial em um país tão diverso quanto o Brasil.

Formações da Awalé: abrindo caminhos para pessoas indígenas no mercado de trabalho

Com o objetivo de transformar essa realidade, a Awalé oferece formações específicas em Marketing Digital, Vendas e Negócios. Por meio de uma metodologia inclusiva, baseada em aprendizado colaborativo, mentorias técnicas e um ambiente acolhedor, a plataforma Awalé Lab busca capacitar mais pessoas indígenas, ampliando suas possibilidades de acesso ao mercado digital e criando conexões reais com empresas comprometidas com a diversidade e inclusão.Quer saber como a sua empresa pode nos ajudar a construir mais pontes para pessoas indígenas no mercado de trabalho? Entre em contato.

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