No dia 20 de novembro de 2025 fez um ano do lançamento oficial da Awalé Lab: uma plataforma de educação, conexão e empregabilidade focada no desenvolvimento pessoal e profissional e, principalmente, na permanência de pessoas negras e indígenas no mercado de trabalho. Como tudo na Awalé, a Awalé Lab nasceu de muita escuta, do entendimento de que o desafio não está apenas no acesso, mas na permanência de pessoas negras e indígenas no mercado de trabalho, em condições justas, seguras e com reais possibilidades de crescimento.
Desde 2021, a Awalé atua entendendo que o maior desafio dos programas de diversidade não é apenas colocar pessoas negras e indígenas dentro das empresas — é garantir a permanência de pessoas negras e indígenas no mercado de trabalho. Por isso, nosso foco sempre foi estruturar formações que respeitem o tempo, a realidade e a saúde emocional, entendendo que sem permanência, não existe transformação real.
Iniciativas que trabalham com permanência de pessoas negras e indígenas no mercado de trabalho não se sustentam sozinhas. É necessário o apoio de empresas, governos e organizações da sociedade civil que compreendam que diversidade não é apenas acesso, mas permanência, desenvolvimento e ascensão.
A permanência de pessoas negras e indígenas no mercado de trabalho exige investimento, intenção e corresponsabilidade. Sem isso, o ciclo se repete: entrada sem estrutura, permanência frágil e ausência de ascensão.
A permanência de pessoas negras e indígenas no mercado de trabalho: o que as pesquisas mostram
Quando falamos sobre permanência de pessoas negras e indígenas no mercado de trabalho, os dados são claros: o problema não é acesso, é sustentação de trajetória. Pesquisas como as do Instituto Ethos, do DIEESE e de universidades mostram que o grande rompimento acontece justamente na permanência de pessoas negras e indígenas no mercado de trabalho, especialmente em cargos de média e alta liderança.
Instituto Ethos — Perfil Racial e de Gênero nas Empresas
- Pessoas negras são maioria na base e nos programas de entrada, mas representam apenas 5,9% nos Conselhos de Administração.
- A pesquisa revela que o ciclo está quebrado na etapa de promoção: quem entra não necessariamente permanece e, menos ainda, ascende.
- Critérios subjetivos de avaliação de soft skills — como “liderança”, “postura” ou “comunicação” — reproduzem vieses que favorecem grupos já privilegiados.
MM360 — Lideranças em Construção
- Investiga a solidão, a insegurança psicológica e a ausência de redes de apoio que impactam diretamente a permanência de pessoas negras em posições estratégicas.
- Mostra que a falta de mentoria e de ambientes seguros prejudica o desenvolvimento justamente de soft skills relacionais — as mesmas usadas como critério para decidir quem sobe.
DIEESE — Boletim Consciência Negra 2023
- Mesmo com escolaridade semelhante, pessoas negras recebem menos e enfrentam taxas maiores de desocupação.
- O relatório reforça que a causa da não ascensão não é ausência de habilidade individual: é a estrutura desigual do mercado.
Jornal da USP — Estudos sobre Governança e Educação
- Profissionais negros têm 5,8 vezes menos chance de chegar ao topo.
- Pesquisas correlatas mostram que o marcador racial influencia o julgamento da performance.
- Soft skills como “assertividade” e “boa comunicação” são frequentemente avaliadas por lentes enviesadas, o que bloqueia a promoção.
Empregabilidade de pessoas indígenas no Brasil: invisibilidade, informalidade e desigualdade estrutural
A empregabilidade de pessoas indígenas no Brasil segue marcada por forte invisibilidade, baixos níveis de inserção no mercado formal e profundas desigualdades salariais. Dados do Instituto Ethos apontam que pessoas indígenas representam cerca de 1% da força de trabalho nas maiores empresas do país e apenas 0,1% ocupam cargos de supervisão ou gerência, o que evidencia a ausência quase total de indígenas em posições de tomada de decisão. Outros levantamentos indicam que menos de 1% dos vínculos formais de trabalho no Brasil são ocupados por pessoas indígenas, reforçando o padrão de sub-representação estrutural.
Além das barreiras de acesso, as condições de permanência e qualidade do trabalho também são desiguais. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), cerca de 80% a 85% das pessoas indígenas na América Latina atuam na informalidade, o que implica ausência de direitos trabalhistas, instabilidade de renda e maior vulnerabilidade social. Estudos regionais apontam ainda que trabalhadores indígenas recebem, em média, menos da metade da remuneração de pessoas não indígenas em funções equivalentes. No contexto brasileiro, pesquisas recentes indicam diferenças salariais significativas, com rendimentos inferiores mesmo quando há equivalência de escolaridade.
Outro fator crítico é a limitação de dados específicos. Muitas bases estatísticas não desagregam informações por etnia indígena de forma consistente, o que dificulta a formulação de políticas públicas e ações afirmativas eficazes. Esse apagamento estatístico contribui para a reprodução das desigualdades, já que a ausência de dados reforça a ideia equivocada de que a baixa presença indígena no mercado é residual, quando, na realidade, está ligada a um histórico de exclusão, racismo institucional e falta de acesso a redes de oportunidade.
Mais do que acesso ao primeiro emprego, o principal desafio é a construção de trajetórias sustentáveis. A empregabilidade de pessoas indígenas precisa ser compreendida como um processo que envolve não apenas inserção, mas também permanência, desenvolvimento profissional e acesso a ambientes seguros, livres de discriminação. Sem isso, o ciclo de exclusão se mantém, e o mercado segue desperdiçando talentos, conhecimentos e perspectivas essenciais para a diversidade real nas organizações.
A Formação em Social Media da Awalé marcou um ponto de virada na nossa trajetória ao ser a primeira turma a reunir um número significativo de pessoas indígenas de diferentes territórios do país. Esse resultado não aconteceu por acaso. Ele só foi possível porque contamos com o apoio de empresas comprometidas com diversidade na prática, como a Vedere Marketing, a Singuê e o escritório Silva Schütz Advogados, que viabilizaram bolsas e contribuíram diretamente para que pessoas indígenas pudessem acessar a formação, permanecer nos cursos e se desenvolver profissionalmente em um ambiente seguro e estruturado.
Se queremos um mercado mais justo, precisamos agir agora. A permanência de pessoas negras e indígenas no mercado de trabalho não acontece sozinha — ela é construída com investimento, parceria, redes de apoio e compromisso real. Quer apoiar iniciativas que atuam diretamente pela permanência de pessoas negras e indígenas no mercado de trabalho? Fale com a Awalé.

Rosângela Menezes é fundadora da Awalé, corredora nas horas quase vagas e apaixonada por discos e livros. É formada em Física e Jornalismo e trabalha com o melhor dos dois mundos.