Antes de mais nada, você não é todo mundo. E isso é o seu maior poder
Se há uma crença que guia tudo o que faço, seja na minha marca de moda, a Safer, seja nas minhas prestações de serviços de marketing, é que “você não é todo mundo”. Por muito tempo, essa frase me limitou, pois eu, que queria ser invisível e me sentava no fundo da sala, desejava me encaixar. Mas você, assim como eu, precisa entender que não ser igual a todo mundo é um poder. E é exatamente esse poder que direciona meu porquê.
Se você está no mercado digital, talvez já tenha percebido que “hackzinhos” e estratégias genéricas, que gurus aplicam para todos, podem não funcionar para o seu negócio. Isso ocorre porque cada negócio tem suas especificidades. O storytelling, que vamos discutir aqui, é o método estratégico que permite a você manifestar quem você é e, o mais importante, gerar resultados. Não se trata de contar uma história pela história, mas sim de usar a narrativa para apresentar um conceito e convencer o seu público.
A batalha pela atenção e a conexão humana
Você está num ambiente digital onde muitas pessoas estão gerando ruído, e a atenção do público é limitada. É como estar na Central do Brasil (ou em qualquer estação movimentada); você não lembra de todas as pessoas que cruzou, mas lembra daquela que gerou uma conexão, talvez por ter te cedido um lugar ou por ter quase te derrubado.
O objetivo central do storytelling é exatamente esse: fazer conexão humana. Se você disser apenas um dado isolado, ele será ignorado. Mas se você envolver esse dado em uma história, a informação pode gerar mais conexão, pois a emoção é lembrada e compartilhada. A psicóloga e escritora Brené Brown resume perfeitamente: “Histórias são dados com alma”.
O papel do storytelling no marketing digital
O storytelling no marketing digital tem o papel de persuadir e diferenciar. Ele precisa ser persuasivo o suficiente para derrubar o muro de não conexão inicial que existe entre você e a pessoa que você quer alcançar.
Seu porquê: a chave da diferenciação
O marketing digital é simplesmente o marketing aplicado ao ambiente digital. Ele se concentra na gestão da troca de valor: você entende a necessidade do público e oferece uma solução. Ao gerenciar a promoção (o P de promoção), você precisa se diferenciar nesse mercado barulhento.
Seu diferencial reside no seu porquê, por que você faz o que você faz. Se você tem um porquê sólido, tudo o que você faz (o que e o como) partirá dessa base. Eu, por exemplo, comecei a empreender por necessidade. Meu porquê é que você não é todo mundo e precisa manifestar quem você é. Minha marca, a Safer, manifesta isso no que (roupas e acessórios) e no como (produção sob demanda, ética e sustentável).
Seu porquê não precisa estar diretamente ligado ao produto; pode estar na sua história de vida. O empreendedor, muitas vezes, resolve um problema que enfrentou. Para encontrá-lo, você deve fazer um processo de investigação do seu passado, não invente, encontre. Se você encontrar alguém que se espelha nesse porquê, sua proposta comercial fará total sentido.
A estrutura da narrativa estratégica
Como uma metodologia estratégica, a contação de histórias requer estrutura. Você precisa de três elementos essenciais:
- Personagem: o protagonista da sua história é o seu cliente. Ele está buscando sair do Ponto A (a realidade atual) para o Ponto B (a nova jornada ou transformação). Sua marca é o mentor ou a ponte que ajuda nessa travessia;
- Conflito: são as barreiras e desafios que o personagem enfrenta no caminho de A para B. Você precisa entender o que o impede de chegar lá. Você pode usar um “inimigo em comum” (como as escolas tradicionais no caso do curso de inglês intensivo) para reforçar o senso de comunidade e o conflito do cliente;
- Resolução: o final da história deve apresentar a solução. Quando o cliente vê a resolução, ele sente como se já tivesse resolvido o próprio problema.
Além desses elementos, a narrativa deve manter a coerência na emoção, estética e linguagem.
- Emoção: precisa ser intencional. Uma marca de slow fashion deve transmitir tranquilidade, não urgência;
- Estética: a apresentação visual deve corroborar a mensagem. Não adianta vender luxo e entregar em uma sacola de mercado;
- Linguagem: deve ser coerente com seu porquê. Se você se apresenta como uma marca sustentável, sua linguagem e roteiro precisam refletir isso.
Para gerar engajamento, aposte em empatia e quebra de padrão
Você cria histórias que geram engajamento e identificação através de dois princípios:
- Empatia: a conexão humana é feita pela empatia. As pessoas engajam naquilo em que se identificam. Para isso, você precisa dar contexto à jornada para que as pessoas tenham um motivo para torcer;
- Quebra de padrão: em um mercado lotado (como um pasto cheio de vacas), você precisa ser a “vaca roxa” de Seth Godin. Você quebra o padrão sendo fiel ao seu porquê, apresentando o que é exclusivo seu e se destacando.
Todo mundo tem um conceito, uma ideia para apresentar e tentar convencer alguém de que ela é uma boa escolha. Se você sair de um “Ponto A” (sem saber o que postar) e aplicar essa metodologia estratégica, você saberá contar sua história de forma que gere diferenciação e empatia, o Ponto B”. O formato (um Reels, um carrossel, um pitch de 90 segundos) pouco importa, contanto que você use a trindade essencial: personagem, conflito e resolução.
Se seu produto é para pessoas, busca satisfazer necessidades, o seu porquê merece ser escutado. Use o storytelling como um método estratégico para convencer, e não apenas para entreter. Conte sua história, gere resultados. Manifeste quem você é.

Especialista em Marketing Digital com vasta experiência em estratégia, conteúdo e redes sociais. Consultor de marketing para PMEs e voluntário na AU, WPT e Awalé.