A existência feminina, em qualquer espaço, carrega consigo uma carga histórica e social que a transforma em um ato político. Mesmo sem a intenção de militar ou levantar bandeiras, ser mulher significa navegar por estruturas que foram, por séculos, moldadas sem sua participação plena.
Contextualizando
Você sabia que a sociedade foi feita de homens para homens? Sim, a sociedade tem os princípios masculinos declarados há mais de 3 mil anos, quando os homens gregos criaram as Polis, cidades e conceitos como cidadão e cidadania. Isso entre 800 e 347 a.C.
Mulheres, crianças e pessoas escravizadas não eram consideradas cidadãs. Em 1.791, a França promulgou os Direitos do Homem e do Cidadão. A partir desses contextos, temos a criação do conceito de virilidade, que vem do Latim Virilitas – que significa homem. E temos como experiência toda a construção da luta das mulheres para se tornarem cidadãs, inclusive aqui no Brasil.
O que significa “ser mulher é um ato político”?
A política não se limita a partidos ou eleições. Ela está presente nas relações sociais, no acesso a direitos e nas escolhas que fazemos todos os dias.
Ser mulher, em uma sociedade que ainda impõe desigualdades de gênero, significa constantemente desafiar normas, expectativas e barreiras, principalmente para as que possuem mais de um marcador social, como por exemplo: ser uma mulher negra, ser uma mulher indígena, ser uma mulher 40+, ser uma mulher com deficiência, ser uma mulher da comunidade LGBTI+.
Exemplos de como Ser Mulher é um Ato Político:
- No trabalho: a luta por salários iguais, por respeito profissional e pela ocupação de cargos de liderança ainda é uma realidade.
- No espaço público: desde poder sair à noite sem medo até decidir sobre o próprio corpo, tudo passa por dinâmicas políticas e sociais.
- Na liberdade de expressão: opinar, liderar e se posicionar são atitudes que historicamente foram desencorajadas para as mulheres.
- Na vida pessoal: a escolha entre ser mãe ou não, casar ou não, trabalhar fora ou se dedicar à família são questões atravessadas por construções sociais e políticas.
Dentro desses contextos, você sabia que..
- 48% dos lares brasileiros têm mulheres como chefe de família.
- Mulheres dedicam o dobro de tempo ao cuidado das casas: Afazeres domésticos consomem 21,4 horas do público feminino contra 11 horas do masculino, segundo o IBGE.
- No mundo, mulheres ocupam apenas 8% do cargo de presidente em empresas, segundo a Bloomberg.
- Mulheres negras recebem em média 44,4% menos do que recebem homens brancos.
- ONU estima que serão necessários 300 anos para o mundo atingir a igualdade de gênero.
Mesmo sem querer, você está inserida nesse debate
Mesmo quem não se considera ativista enfrenta diariamente os impactos das desigualdades de gênero. As lutas que as mulheres travaram no passado garantiram direitos que hoje parecem naturais, como o voto, o estudo e a independência financeira.
Ser mulher é um ato político porque significa lidar, conscientemente ou não, com estruturas que influenciam sua vida. Você pode não querer participar do debate, mas sua existência e suas conquistas já são uma resposta ao mundo.
O simples ato de existir, ocupar espaços e fazer escolhas já é uma forma de resistência.
Você já sentiu que sua presença em algum ambiente foi um ato político? Como vê esse tema na sua vida?

É especialista em Diversidade e Inclusão e ESG, mentora de carreira e palestrante. Atuou por mais de 20 anos no mercado corporativo com vendas, experiência do cliente, treinamentos e gestão de crise. Comunicadora em formação, é uma entusiasta na transformação dos ambientes e gosta de pensar que está trilhando um caminho para uma sociedade mais justa.